quinta-feira, novembro 03, 2011

Ola Galera do progressivo, pelo periodo de uma semana a contar de hoje dia 3 logo ate dia 10 estaremos tocando aqui na WebRadio Sommexe os dois Cds da Banda TEMPUS FUGIT,  Chessboard e Tales from a Forgotten World initerruptamente logo pode ser ouvido a qualquer hora, e nao conseguindo por aqui ouca la pelo servidor diretamente em http://s1.myradiostream.com/61674.htm, segue abaixo uma cronica sobre a banda que eh uma das principais do rock progressivo brasileiro.
Site oficial :
http://www.rockprogressivo.com.br/tempusfugit/
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Momento histórico 1.
A primeira metade dos anos setenta foi um período ímpar para o rock progressivo. O motivo, todo mundo já sabe – Yes, Gênesis, King Crimson e etc. No entanto, foi a partir de mil novecentos e setenta e oito que o movimento progressivo viveu o seu declínio oficial e, a partir do início dos anos oitenta, o rock progressivo (também classificado como: Som Arte, Movimento Progressivo, Música Progressiva, como queira), jamais foi o mesmo. Em todo o mundo foram pouquíssimos grupos que investiram o seu talento nesse estilo de música. O que ocorreu é que os tradicionais grupos progressivos começaram a trilhar novos caminhos e, quando a gente está no centro da história, nunca temos uma visão mais clara. A bem da verdade, o rock progressivo tradicional dos setenta, chegou aos oitenta de maneira “reinventada”, gerando assim, o que é classificado como sendo rock neo progressivo. É verdade que os conservadores (puristas) sempre olharam para o neo progressivo com o nariz retorcido. Porém, o movimento neo progressivo continua vigorando em várias partes do mundo e grupos de grande importância histórica, estão profundamente ligados a ele. O Yes talvez seja o maior exemplo, pois, sua produção a partir do vinil 90125 (lançado em dezembro de 1983), vem sendo toda voltada para a estética neo.
O movimento progressivo brasileiro – refiro-me aos anos setenta – pode ser classificado como mediano e nada mais. Com a derrocada da estética do progressivo clássico (anos 70), os músicos prog. do Brasil praticamente desapareceram do horizonte. O curioso é que o renascimento súbito veio a partir dos anos 90. Os anos noventa foram os anos de maior qualidade e originalidade para os criadores da estética progressiva nacional. Lembro-me, que naquela época, três livros sobre rock progressivo foram lançados no Brasil. Algo verdadeiramente inédito, e, a mais importante de todas as publicações, foi o singular jornal Metamúsica. O jornal era totalmente dedicado ao rock progressivo! O Metamúsica foi criado pelo genial editor Marcos Cardoso de Oliveira, personalidade ímpar que foi movido por uma profunda paixão (quem conheceu tal publicação sabe do que falo) pela cultural progressiva em todo o mundo. O jornal, apesar de ser escrito em português, foi uma publicação que correu o mundo. Não tenho qualquer dúvida em afirmar, que o Metamúsica foi uma das mais importantes publicações sobre música progressiva do mundo. Até hoje lembro de sua heróica última edição com quase 100 páginas! Verdadeiro milagre editorial, pois era mínimo o número de patrocinadores. A verdade   é que o Metamúsica era integralmente movido pela ardente paixão do seu editor.
Foi justamente nos anos noventa que o Tempus Fugit nasceu e certamente, de maneira direta ou indireta, sofreu um pouco da atmosfera do ambiente Prog que vigorou em todo o passar dessa década. Lembro-me a primeira vez que assisti o grupo. O concerto foi em Niterói, no espaço cultural que se chama Estação Livre Cantareira. Bem próximo a Baía da Guanabara. Recordo claramente que o quarteto naquela noite abria a apresentação de um grupo sueco que tinha uma bela cantora. Tive um rápido contato com o baterista Ary Moura e o tecladista André Mello. Como eles iam tocar, a conversa foi de pouquíssimas palavras. Creio que isso ocorreu no ano de 1995 ou 1996. Logo nos primeiros minutos, já dava para perceber o que estava por vir. A musicalidade dos rapazes foi logo percebida pelo público e um grande momento foi registrado. Foi assim que eu conheci a música da banda Tempus Fugit.
Momento histórico 2.
O Tempus Fugit foi formado em 1992, no bairro de Jacarepaguá, zona oeste do Rio de janeiro. Tem como identidade a música progressiva de influência sinfônica, mediante seu potencial musical que mistura, de uma forma bem equilibrada, passagens de grande harmonia e melodia suave, seguida por trechos mais rigorosos. O trabalho do quarteto já é conhecido nacional e internacionalmente.
O CD “Tales From A Forgotten World”.
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Antes de iniciarmos falando sobre as faixas do CD, sou obrigado a dizer que a capa do disco é de grande riqueza visual (como nas produções de música progressiva dos anos 70). Portanto, o selo Masque Records (www.masquerecords.com) deve servir como exemplo para futuros produtores de discos. A receita é simples; bom gosto e qualidade.
As letras são todas cantadas e narradas no idioma inglês (o encarte contido no CD inclui todas as letras sem tradução para o português), porém, o que predomina são grandes trechos de música instrumental. A base fundamental de inspiração do quarteto carioca é o progressivo dos anos setenta. Vejamos mais intimamente cada faixa:
1 – A abertura é feita com a peça que se chama “Prologue” (4:38). Participação de um narrador.  “Prologue” funciona como um prelúdio.
2- “The City And Crystal” (7:05), tem em sua melodia principal ( teclados), um clima especial que nos dá a sensação “The City And Crystal”. A seção cantada é bem breve. É um grande momento dentro de “Tales From A Forgotten World”.
3- Uma forte característica de “The Gobliss`Trail” (7:18) é o seu tema principal que é variado inúmeras vezes. A composição é instrumental. Outro bom momento.
4- “War God” (6:12) também é integralmente instrumental com uma sonoridade mais agressiva, vigorosa.
5- “Bornera” (10:37) caracterizada por variadas seções onde alguns momentos André (teclados) sofre uma direta influência de Rick Wakeman. Mais uma vez existe a participação de um narrador. A peça “Bornera” é um dos grandes momentos de todo CD.
6- “A Song For A Distant Land” (7:02) demonstra uma característica  única em comparação com as outras obras pois é praticamente toda cantada.
7- “Princesa Vanessa” (6:07). Aqui os rapazes do Tempus Fugit procuram uma sonoridade mais intimista através de instrumentos acústicos (piano, violão e bandolim). Totalmente instrumental.
8- “The Lord Of A Thousand Tales” (11:43). Agora não é fácil falar pois o momento é muito especial. André Mello (compositor e tecladista) consegue levar a música do Tempus Fugit para as altas esferas. É isso mesmo. Trata-se de um momento de grande espiritualidade e luz. Verdadeiramente singular.
Triunfante e de grande sensibilidade.
A banda é formada pelos seguintes músicos; Ary Moura, Bernard, Henrique Simões e André Mello.
Entrevista:
Manoel Décio: Como você vê o movimento progressivo atual no Brasil e no mundo?
Ary: Acredito que no geral, em termos mundiais, muitas bandas surgiram de uns tempos pra cá, o que fortalece e muito a perpetuação da espécie, e de certa forma é extremamente importante, pois aquece o mercado tão discriminado pelos principais meios de comunicação, como TV e rádios de grande audiência, mas acho que o Cenário Progressivo tem crescido de forma significativa no mundo inteiro, apesar de ter um público restrito.
Manoel Décio: Existe espaço para a música progressiva nas rádios do Brasil? Caso a resposta seja sim, favor citar os nomes das rádios.
Ary: Com o retorno da Rádio Fluminense FM (maldita) há alguns anos, cheguei a deixar alguns CDs da Tempus Fugit para apreciação deles e com isso tentar uma divulgação maior por parte de uma rádio que apresentou muitos nomes do Progressivo Nacional e Internacional , afinal de contas, depois da Eldo Pop, somente a Fluminense causava um frisson dentro de cenário. Hoje parece que estamos retornando aos bons tempos, se eu não me engano, o nosso amigo Claudio Fonzi está com uma rádio pela internet que vai nos ajudar e às demais bandas brasileiras a divulgar os trabalhos, inclusive conheci também uma rádio em Nova Iguaçú que tem espaço totalmente dedicado ao Rock em geral, como todos merecem. Na França existe uma rádio chamada morow.com, onde são apresentados novos e antigos trabalhos de música progressiva e suas vertentes. Muitas dessas bandas têm me surpreendido pelo excelente material apresentado . De fato, o Rock Progressivo vai se fortalecendo através deste meio de comunicação. Nós lançamos nossos trabalhos, mas precisamos também das rádios, pra intensificar na divulgação!
Manoel Décio: O estilo da banda é o melódico sinfônico. Você poderia me dizer por quê?
Ary: Na verdade, quando lançamos nossa demo tape (1996), demos um tiro no escuro pra saber ao certo o que poderia acontecer, já que o Progressivo no país estava apagado. Para nossa surpresa, fomos muito bem recebidos tanto pela mídia Nacional quanto pela Internacional, e com isso fomos ganhando espaço. Naturalmente, trilhamos nosso caminho como temos feito até aqui. Com o tempo de estrada, já se vão 13 anos do primeiro lançamento (Tales…) e 20 anos da existência da banda. Acredito que nossa definição, nossa unidade, nosso estilo propriamente dito foi tomando corpo com esse amadurecimento que o tempo nos proporcionou. Quando começamos, tudo era novidade e hoje em dia já sabemos o que queremos. E queremos fazer sempre o melhor contribuindo para o Progressivo Nacional.
Manoel Décio: Existe a possibilidade do Tempus Fugit incorporar um quinto ou até mesmo um sexto músico?
Ary: Essa possibilidade é totalmente inviável, primeiro porque já é difícil você escalar o time certo para esse tipo de projeto e segundo porque já nos conhecemos há tanto tempo e temos tanto em comum, que se entrar ou sair alguém a banda pode vir a perder o foco principal que é manter nossa indentidade. Não acho que a banda precise de mais um integrante, até porque somos tão bem recebidos no exterior e já somos do conhecimento de todos como quarteto. Acho que não há necessidade. Não que com isso estejamos fechando as portas, mas temos nossa formação tão sólida que podemos pensar em participações especiais para dar um tempero a mais em nosso trabalho, e isso soma muito no resultado final.
Manoel Décio: Quais são as maiores influências do grupo?
Ary: Na minha opinião, temos como principais influências as bandas e músicos: Yes, Eloy, Rush, Joe Satriani, Toto, Supertramp, Terry Bozzio, Bill Bruford, Billy Conham, Genesis, etc.
André: As minhas são: Yes, Genesis, 14bis, Anyone´s Daughter, Eloy, Supertramp, Rick Wakeman, entre outras.
Manoel Décio: Foi na década de noventa que a banda nasceu e gravou o seu primeiro CD. Certamente foi uma década especial para vocês. Portanto, você poderia falar um pouco sobre o percurso de vocês nos anos 90?
Ary: Nos anos 90 parecia que o Progressivo estava ressurgindo das cinzas, pois a passagem da década de 80 para 90 foi um verdadeiro caos para o estilo. O ostracismo tomou conta do Progressivo nessa época, já no início dos 90, eis que surgem novas possibilidades de propostas de contratação para futuros lançamentos na indústria fonográfica Progressiva. Conheci o André Mello num show do Quaterna Requien nesse período, essa época foi um verdadeiro divisor de águas. Foi a década de lançamento de nossa Demo Tape (96). Em 97 lançamos nosso debut, de grande aceitação no Brasil e no mundo. Os anos 90 marcam, de fato, nosso surgimento e pretendemos permanecer juntos por muitos anos ainda.
André: A partir de 1996 ouve um grande BOOM de bandas que começaram a surgir. Isso durou a meu ver até 2002 mais ou menos. Foi uma época bem fértil para o progressivo carioca principalmente. Tivemos grandes lançamentos neste período.
Manoel Décio: Estamos no ano de 2010. Vocês poderiam nos falar como foi passar por essa década?
Ary: Nesse período passamos pelas mais diversas situações, como: mudança de integrantes, gravações pendentes, falta de apoio, falta de patrocínio, até a Masque Records nos adotar como filhos! Era o que estava nos faltando para cumprirmos nossas metas. Com isso conseguimos relançar nosso primeiro trabalho (Tales…), comemorando o aniversário de 10 anos, e lançar de uma vez por todas o nosso inédito Chessboard já em 2008. Agora tenho plena convicção de que a banda está no caminho certo. Queremos muito e sempre mais, vamos entrar no segundo semestre com algumas apresentações que merecem e muito o lançamento de nosso mais recente Chessboard.
Manoel Décio: Como está acontecendo a divulgação do Tempus Fugit fora do Brasil?
Ary: A Masque Records tem sido uma mãe pra gente! A divulgação não poderia ter sido melhor nas mãos de outra gravadora-selo. Vendemos nossas primeiras 1000 cópias do Chessboard muito mais rápido que nosso Tales…, o que mostra que nosso público está carente com relação ao cenário. Vamos continuar trilhando nosso caminho, não podemos perder o nosso foco.
André: A divulgação é boa mas não venderemos mais como o 1º CD que chegou a mais ou menos 5000 cópias. Em 1997 não tínhamos tantos downloads espalhados por aí como hoje em dia. Talvez muito mais pessoas venham a  conhecer o  nosso som, mas poucas terão o CD original nas mãos. Estamos na segunda prensagem de 1000 cópias do Chessboard mas não acho que chegaremos na terceira para ser bem realista. O que é uma pena. O que ganhamos com a venda de cd´s não é muito (cada músico está recebendo pela 2º prensagem do Chessboard 500,00 reais do selo e a banda tem direito a 250 cd´s (e esse é um bom contrato), fazemos porque gostamos, mas o download exagerado inibe o investimento de selos nas bandas, afinal gravação, mixagem, edição, prensagem, capa, etc, custam dinheiro, tempo e muito trabalho. O download é uma ótima ferramenta pra levar o som a um número maior de pessoas mas tudo tem um lado bom e um ruim. Agradeço a quem tem a intenção de ajudar divulgando num blog ou numa comunidade de orkut e mais ainda a quem gosta e acaba comprando o cd original.
Manoel Décio: O nome da banda é título de uma música do Yes (Lp Drama de 1980). Para a maioria dos admiradores do Yes, o Drama é o mais fraco disco gravado pela banda. Portanto, qual é a razão do grupo se chamar Tempus Fugit?
André: Gosto é gosto, e gosto deste álbum.  O Yes tem trabalhos como Open your eyes, Big Generation e Talk, que são inferiores ao meu gosto pessoal. A banda se chama TEMPUS FUGIT por ser um bom nome e estar diretamente ligado a uma banda de progressivo que todos da banda gostam.
Manoel Décio: Existe a possibilidade de possíveis modificações estéticas no conjunto?
André
: Acredito que não. Nós somos o que somos.
Manoel Décio Estigarribia é o autor do livro “Yes – Uma Rara Música de Quinteto”.

Manoel Décio Estigarribia - Músico graduado pelo Conservatório de Música de Niterói. Trabalha como compositor, crítico e professor de música. Como crítico é autor do livro: "Yes - Uma Rara Música de Quinteto" (progressive rock anos 70).